Aclara firma parceria com Japão para explorar terras raras no Brasil
A Aclara Resources anunciou um acordo com a Japan Organization for Metals and Energy Security (Jogmec), organização estatal do governo japonês, para avançar na exploração de depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil. A parceria prevê a formação de uma joint venture e pode resultar em investimentos de até US$ 4,5 milhões por parte da organização japonesa . O acordo estabelece que a Jogmec financiará até US$ 3 milhões em atividades de exploração durante três anos. Caso determinadas condições sejam atendidas, a organização poderá realizar um aporte adicional de US$ 1,5 milhão e estender o período de aquisição de participação por mais 12 meses. Ao final do período de financiamento, a Jogmec poderá optar por adquirir 30% de participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil. O acordo também prevê direito de compra de uma parcela da produção equivalente à participação adquirida, mais 10 pontos percentuais da produção futura do empreendimento. Carina permanece sob controle da Aclara Apesar da criação da joint venture , o Projeto Carina , em Goiás , não será incluído no acordo. A Aclara manterá 100% de controle sobre o empreendimento. O Carina é considerado um dos principais projetos da companhia na América do Sul . De acordo com dados divulgados pela Aclara , a operação tem previsão de início em 2028 e poderá alcançar produção média anual de 156 toneladas de disprósio, 27 toneladas de térbio e 1.191 toneladas de NdPr, além de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras . O empreendimento tem vida útil estimada em 18 anos e recebeu, em junho deste ano, a avaliação de impacto ambiental necessária para avançar no processo de desenvolvimento . Acordo mira cadeia global de terras raras A parceria com a Jogmec faz parte de uma estratégia de expansão da Aclara no segmento de minerais críticos . A companhia trabalha com depósitos de argilas iônicas no Brasil e no Chile e pretende integrar a produção mineral a etapas de separação e processamento. A empresa também desenvolve nos Estados Unidos uma unidade de separação de terras raras , projetada para transformar carbonatos mistos produzidos a partir de seus depósitos em óxidos individuais, incluindo neodímio-praseodímio, disprósio e térbio. O CEO da Aclara , Ramón Barúa, avalia que o acordo com o Japão pode facilitar a identificação de novas oportunidades de exploração no Brasil e criar condições para futuras vendas ao mercado japonês. A Jogmec terá direitos de preferência relacionados à produção dos projetos que eventualmente integrem a parceria. Brasil ganha espaço na disputa por minerais estratégicos O movimento ocorre em um momento de maior interesse internacional pelas reservas brasileiras de terras raras . O país possui grandes recursos desses minerais e busca ampliar não apenas a extração , mas também o processamento e a agregação de valor dentro da cadeia produtiva . As terras raras pesadas são particularmente estratégicas por sua aplicação em ímãs de alto desempenho utilizados em veículos elétricos, energia limpa e tecnologias avançadas. A própria Aclara destaca que a oferta desses elementos é mais restrita e concentrada globalmente, aumentando a importância de novas fontes fora da Ásia. Com a parceria, a Aclara passa a contar com um parceiro japonês para financiar a pesquisa de novas áreas e, potencialmente, participar de futuros projetos no país, enquanto o Japão amplia o acesso a uma possível fonte adicional de terras raras para sua cadeia industrial . Voltar O post Aclara fecha parceria com Japão para explorar terras raras no Brasil apareceu primeiro em Revista Mineração .
