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Química e Petroquímica

Fertilizantes, siderurgia, química e petroquímica serão os alvos dos leilões de gás da União

Petrobras diz que iniciativa para desconcentração no mercado de gás pode atrasar projeto do gasoduto de Sergipe Águas Profundas.

Silveira defende “subsídio zero” para geradores no plano de governo Lula 4.

Seca impacta geração de energia nuclear na Europa.

Depois de muitos anos de discussão, enfim saiu a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que viabiliza os leilões para a venda da parcela de gás natural que cabe à União nos contratos de partilha no pré-sal, geridos pela PPSA.

Foram definidos os setores que serão alvo da política no longo prazo: fertilizantes, siderurgia, química e petroquímica.

No caso deste último, uma possível beneficiada é a Braskem.

A resolução aprovada na quinta-feira (30/7) viabiliza dois modelos de leilão: um para o curto prazo e outro para o longo prazo.

Os setores-alvo serão priorizados nos leilões de longo prazo, previstos para ocorrer em 2027, com fornecimento a partir de 2031.

Até 2030, vão ocorrer os certames de curto prazo, abertos para quaisquer consumidores, incluindo usinas termelétricas a gás natural, além de outros comercializadores interessados no gás da União para formação de portfólio e desenvolvimento do mercado. A expectativa é aumentar a liquidez do mercado.

A divisão tem a ver com a curva de oferta de gás da União, que deve atingir o patamar de 1 milhão de m³/dia por volta de 2027 e os 3 milhões de m³/dia na virada da década.

A intenção da PPSA é que o primeiro leilão de curto prazo ocorra em novembro ou dezembro de 2026.

Para isso, no entanto, PPSA e Petrobras precisam concluir a negociação em curso para revisar os contratos de escoamento e processamento do gás do pré-sal — o que também vai impactar o preço da molécula.

A ANP criou uma comissão especial para apurar controvérsias e eventuais condutas anticoncorrenciais na negociação de acesso às infraestruturas.

O Ministério de Minas e Energia (MME) estima redução de mais de 50% no preço do insumo para a indústria.

O gás natural da União é hoje vendido pela Petrobras a cerca de US$ 12 por milhão de BTU (MMBtu). Com a nova política, o valor pode cair para cerca de US$ 5 por MMBtu.

Mas o preço final ainda vai depender das negociações entre Petrobras e PPSA.

A decisão do CNPE foi comemorada pelos consumidores. Na visão da Abrace, os leilões do gás da União podem “revolucionar” o mercado no Brasil e ampliar a competitividade da indústria.

O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, lembrou que o mercado de gás brasileiro não cresce há mais de uma década.

“São 14 anos que o consumo industrial de gás natural está parado no Brasil. O setor químico, por exemplo, está com 37% de capacidade ociosa”, disse em entrevista ao estúdio eixos durante o Sergipe Oil & Gas (SOG) 2026, direto de Aracaju na quarta-feira (29/7).

Gas release. A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou que mudanças na regulação do setor de gás — como o programa de desconcentração do mercado, o gas release — podem atrasar o cronograma do Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP) e desestimular novos investimentos na cadeia.

O senador Laercio Oliveira (PP/SE), autor da Lei do Gás, considera que o debate deve ser conduzido com diálogo e segurança jurídica, de modo a contemplar os interesses de todos os agentes do setor, incluindo a Petrobras, que é peça-chave para os investimentos em gás e petróleo no país.

Pacto nacional do gás. Três agências reguladoras estaduais já aderiram ao Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural. Agrese (SE), Agems (MS) e ARSP (ES) celebraram na quarta (29/7) os primeiros acordos de cooperação técnica com a ANP e o MME, em cerimônia realizada na abertura do Sergipe Oil & Gas 2026, em Aracaju.

Para o diretor de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Marcello Weydt, os acordos ajudam a evitar novas judicializações e construir uma regulação mais harmônica para o setor.

Sergas. O governo de Sergipe planeja incluir a Companhia Estadual de Desenvolvimento Industrial (Codise) como sócia minoritária da Sergas, para manter a estrutura de capital misto da distribuidora estadual, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do estado, Marcelo Menezes.

Acesso a terminais de GNL. A diretora da ANP Symone Araújo afirmou que não há espaço para revisão da resolução que regulamenta o acesso aos terminais de gás natural liquefeito (GNL) publicada pela agência. Segundo ela, o processo foi amplamente debatido e a decisão já está consolidada, sendo “muito bem calibrada”.

A Eneva recebeu com cautela e receio a resolução da ANP, indicou o diretor de Relações Externas da empresa, Aurélio Amaral. Segundo o executivo, a medida pode trazer insegurança jurídica para investimentos já estruturados, especialmente em terminais integrados a usinas termelétricas.

Inflexibilidade operacional. O acordo que o MME negocia com a Eneva para flexibilizar contratos de termelétricas a gás pode servir de referência para negociações com outras empresas, disse o secretário nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho. A discussão visa ajudar a reduzir os cortes de geração de usinas renováveis.

O tema foi debatido na quinta-feira (30/7) em um evento do TCU. A expectativa do governo é ter o modelo fechado em agosto.

Subsídio zero. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), defendeu na quinta (30/7) o fim da concessão de novos subsídios para a geração de energia elétrica, em um eventual quarto mandato do presidente Lula (PT).

A proposta surge em meio ao crescimento contínuo da CDE, que tem pressionado as tarifas.

Eólicas offshore. Publicada esta semana pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a metodologia de seleção de áreas ofertadas para projetos de eólica offshore divide o processo em três etapas: identificação de regiões potenciais, definição de áreas de interesse e priorização de áreas.

Elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a metodologia é mais um passo em direção à regulamentação do marco legal das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025.

Industrialização verde. O vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, defende que o processo de industrialização verde do Nordeste vá além da instalação de data centers.

Segundo ele, o excedente de energia renovável deveria ser direcionado para atividades industriais capazes de gerar mais emprego e renda para redução das desigualdades.

Seca na Europa. Usinas nucleares às margens do rio Danúbio, na Hungria e na Romênia, foram obrigadas a reduzir sua produção nesta semana e poderão ser completamente desligadas nos próximos dias devido aos níveis recordes de baixa da água.

Na França, onde a energia nuclear responde por cerca de dois terços da eletricidade do país, a geração também precisou ser reduzida (Reuters/Valor)

Preço do barril. O petróleo fechou em queda na quinta-feira (30/7), apesar da continuidade dos ataques bélicos entre Estados Unidos e Irã. A retração ocorreu enquanto Teerã afirma que continua em negociações com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz, em meio à redução do fluxo de embarcações na região.

O Brent caiu 1,37%, a US$ 86,88 o barril.

Opinião: Biometano pode reduzir dependência externa, mobilizar R$ 246 bi em investimentos até 2035 e gerar 110 mil empregos, transformando resíduos em energia e fortalecendo a soberania nacional, escreve Josiani Napolitano, a presidente da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).