Intenção de investir da indústria cai para menor em 6 anos
Desempenho da produção industrial teve o pior para o mês em 11 anos Índice não ficava tão baixo desde agosto de 2020, durante a pandemia O índice que mede a intenção de investimento da indústria caiu 1,3 ponto em setembro , de 52,6 pontos para 51,3 pontos, menor valor para o indicador desde agosto de 2020 , durante a pandemia de Covid-19. É o que mostra a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na segunda-feira (21). Trata-se da quarta queda consecutiva do índice , cuja sequência negativa ocorre desde maio. De lá para cá, o indicador acumula recuo de 3,5 pontos. A cautela dos empresários industriais ao projetar novos aportes nos próximos meses ocorre em meio à deterioração das perspectivas. Em setembro, os quatro indicadores de expectativa da indústria recuaram. Demanda por produtos: -1,4 ponto, para 51,2 pontos; Compra de insumos e matérias-primas: -0,8 ponto, para 50,4 pontos; Quantidade exportada: -0,6 ponto, para 48,9 pontos; Número de empregados: -0,2 ponto, para 49,2 pontos. "A queda expressiva da intenção de investimento reflete um quadro que a gente já vem acompanhando de perda de ritmo da atividade industrial. Além disso, há um aumento das incertezas, o que também contribuiu para o resultado" Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI Expectativa de demanda é positiva Apesar dos resultados negativos, os índices que medem a expectativa de demanda por bens industriais e de compra de insumos e matérias-primas continuaram acima da linha divisória de 50 pontos. Isso sinaliza que os industriais seguem projetando aumento da demanda por produtos e da aquisição de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, ainda que de forma mais moderada do que em agosto. Por outro lado, as perspectivas de recuo da quantidade exportada e do número de empregados se tornaram mais intensas . Evolução da produção tem pior agosto em 11 anos O índice de evolução da produção industrial registrou forte queda em agosto, após recuar 4,7 pontos, passando de 51 pontos para 46,3 pontos. Com isso, o indicador aponta recuo da produção industrial em relação ao mês de julho. Segundo o levantamento, trata-se do pior resultado do índice para o mês de agosto desde 2015, quando a economia passava por uma recessão . Além disso, o desempenho foi na contramão do usual para o período. Nos últimos 11 anos, o indicador ficou abaixo dos 50 pontos em agosto apenas duas vezes: em 2025 e agora, em 2026. "Esse resultado tão atípico passa pela queda contínua da demanda por bens industriais, mas também por um quadro de incertezas , tanto externas quanto internas. Não dá para negar que a proximidade das eleições traz um certo grau de imprevisibilidade, fazendo com que as empresas se tornem mais cautelosas na hora de investir, produzir e contratar", explica Azevedo. Capacidade instalada, emprego e estoques Em meio à queda da atividade industrial, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) recuou 1 ponto percentual, chegando aos 69% . O percentual de uso do parque fabril ficou 2 pontos percentuais abaixo da média para o mês de agosto. Os impactos negativos também recaíram sobre o emprego. O índice d e evolução do número de empregados ficou em 48,2 pontos , depois de recuar 0,4 ponto em relação a julho. Já o índice de evolução do nível de estoques diminuiu 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos. Ao ficar abaixo dos 50 pontos, o indicador aponta queda dos estoques de produtos finais da indústria na passagem de julho para agosto . Ainda assim, o nível dos estoques continuou em linha com o planejado pelas empresas , uma vez que o índice de estoque efetivo-planejado avançou apenas 0,2 ponto, para 50,4 pontos.
