Subsídio a combustíveis não resolve impacto do petróleo a US$ 100
A ampliação dos subsídios à gasolina e o diesel anunciada pelo governo Lula no início deste mês , em meio às novas disparadas no preço do petróleo no mercado internacional , dão um importante alívio aos consumidores que dependem diretamente dos combustíveis para manter seus veículos andando e, principalmente, aos caminhões e outros veículos pesados que movimentam as cargas do país e, por meio dos fretes, acabam transferindo os aumentos de custos para um pouco de tudo na economia do país. Para a indústria, porém, não é nos combustíveis ou mesmo nos fretes que estão os maiores impactos vindos do petróleo, e a conta bilionária concedida em subvenções pelo governo para amenizar os efeitos do barril caro na economia brasileira acaba tendo impacto limitado para o setor produtivo – o que significa que a inflação pode em breve começar a aparecer em diversos produtos industriais. “A subvenção não ajuda de forma relevante”, disse em entrevista a VEJA Negócios André Rebelo, diretor de assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Ela se restringe aos combustíveis amplamente usados para transporte, gasolina e diesel. Mas a indústria mal compra gasolina e o diesel é só uma fatia pequena do que ela de fato consome em derivados de petróleo.” De acordo com ele, o petróleo e seus derivados estão, de fato, presentes de várias maneiras e em todos os setores da indústria, mas usados diretamente como matéria-prima ou como fonte de energia para o processo de produção, nas máquinas e fornos. Gás, nafta, coque, resinas plásticas e fibras sintéticas são apenas alguns dos exemplos de outros derivados de petróleo mencionados por Rebelo que entram diretamenta na produção das fábricas e que, sem subvenções como as dos combustíveis, vão continuar encarecendo junto com o petróleo. Continua após a publicidade “Os subsídios ajudam a atenuar o impacto, mas não eliminam o choque, já que a alta do petróleo afeta outros derivados que não só os combustíveis e o transporte”, diz também o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban. O preço do barril do petróleo voltou a passar dos 100 dólares e continua acima desta marca há duas semanas, conforme a promessa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã aguou e os ataques no Oriente Médio voltaram a se intensificar e a bloquear parte das exportações que saem dali para abastecer o resto do mundo inteiro. Desde maio isso não acontecia. O conflito teve início em 28 de fevereiro. Continua após a publicidade Em reação, o governo Lula anunciou em 9 de setembro um novo pacote de desoneração de impostos e de subvenção para a gasolina, o diesel e também o etanol, numa tentativa de evitar que o preço eles também suba. Em apenas um mês, o custo das medidas para os cofres públicos deve ser de 7 bilhões de reais, nas contas do Ministério do Planejamento e Orçamento . Alban, da CNI, reforça que o consumo de petróleo pela indústria vai bem além dos combustíveis. “Alguns setores consomem mais petróleo e derivados e ficam mais expostos”, diz. “Entre eles estão o refino de petróleo, os minerais não metálicos (como cimento e vidro), siderurgia, química, celulose, alimentos, borracha e plásticos.” Continua após a publicidade A conta da Fiesp, de acordo com Rebelo, é de que, para um aumento de 10% no preço do barril do petróleo, os preços ao produtor industrial tendem a ter um aumento de 2 pontos percentuais, em média. Na comparação com junho, quando o preço do barril chegou a arrefecer até os 70 dólares, a volta do preço para mais de 100 dólares significa um aumento da ordem de 40%. “ Se o petróleo permanecer elevado, aumenta a possibilidade de novos repasses, pressionando margens ou preços, dependendo da capacidade de cada empresa de absorver ou repassar os custos”, acrescentou Alban, da CNI. Publicidade
