Tarifaço dos EUA: sobretaxas de até 37,5% atingem exportações brasileiras de aço
O governo dos Estados Unidos publicou, nos dias 15 e 23 de julho, duas novas medidas tarifárias que já estão em vigor contra produtos brasileiros. Juntas, elas somam uma sobretaxa de até 37,5%: 25% de uma investigação específica contra o Brasil, mais 12,5% de uma investigação sobre trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o impacto direto chega a US$ 6,6 bilhões (R$ 33,8 bilhões) em exportações brasileiras, o equivalente a 16,5% do que o país vende aos EUA.
Para o setor de aço, o momento é particularmente sensível. Os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro e aço já vinham em queda mesmo antes da aplicação formal das novas tarifas: no primeiro semestre de 2026, as exportações dessa categoria recuaram 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, num movimento que analistas atribuem em parte à antecipação do tarifaço pelo mercado.
A exposição não é uniforme entre os produtos da cadeia. Levantamentos baseados em dados do Comex Stat e do MDIC mostram que o aço semiacabado destina cerca de 72,5% de tudo o que exporta diretamente ao mercado americano — uma dependência que deixa pouca margem de manobra caso as tarifas se mantenham. É justamente esse tipo de produto, usado como insumo pela siderurgia americana, que fica mais vulnerável a uma medida como essa.
Nem todo o setor foi atingido da mesma forma. O ferro fundido, por exemplo, está na lista de produtos excepcionados da nova sobretaxa, segundo a relação divulgada pelo governo americano — que ampliou o rol de exceções em relação à proposta original apresentada em 1º de julho. Já outros itens da cadeia metalúrgica seguem sujeitos à tarifa cheia, o que reforça a necessidade de as empresas mapearem produto a produto qual regra se aplica ao que exportam.
O cenário mais amplo também ajuda a entender o momento. As exportações brasileiras totais aos Estados Unidos, que bateram recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, vêm recuando desde então: caíram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% ante igual período do ano anterior. Com isso, a participação americana nas exportações brasileiras encolheu de 12,1% para 9,4% em um ano, um sinal de que o país já vinha perdendo espaço nesse mercado antes mesmo da tarifa mais recente.
Diante desse quadro, negociação e diversificação de mercado tendem a caminhar juntas. Enquanto o Itamaraty e o Palácio do Planalto seguem em conversas com Washington sobre uma eventual revisão das medidas, exportadores de aço já buscam ativamente outros destinos para reduzir a dependência do mercado americano — movimento que ganha força justamente em anos de feira, quando compradores de diferentes regiões se reúnem num só lugar.
